Nossa Razão – Capítulo 23

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Capítulo 23

Karla

Não sei se Nic deixou a suíte em algum momento, mas quando saí do banheiro, ele já tinha trocado de roupa, e me surpreendeu com um assobio em aprovação à minha aparência.

— Uau! Dizer que tá linda é pouco!

Era engraçado como eu corava com alguns daqueles elogios. Normalmente acontecia quando ele impunha à voz um tom grave.

Eu sabia que o maiô branco realçava não apenas a cor da minha pele, mas todas as minhas curvas, que cá entre nós, eram bem atraentes. Ainda que elas estivessem levemente encobertas pela saída de praia, tinha certeza de que Nic as percebia bem.

Ele se aproximou, buscou uma de minhas mãos, e me fez rodopiar sob ela, assobiando novamente antes de segurar minha cintura e dobrar meu corpo em um movimento coreografado. Impossível não sorrir.

— Pronta para fazer deste, o melhor último dia do ano, da sua vida? — sussurrou bem perto da minha boca, seu corpo inclinado sobre o meu.

— Pelo menos destes vinte e um anos, sim!

— Bem colocado! — Piscou e me colocou em pé. — Vamos!

Encontramos Gael e Milena próximos à piscina, e seguimos a pé, até um restaurante bem próximo, em frente à Prainha. O vento que soprava do mar, a água azul ali pertinho, comida gostosa e companhia excelente, faziam com que realmente não houvesse nada melhor no mundo.

Depois de um almoço bem tranquilo, fomos até o Farol. Eu já conhecia o lugar, mas fazia um bom tempo que não visitava. A vista lá de cima era incrível!

— Já pensou assistir à queima de fogos aqui? — Suspirei.

— Eu topo! — Milena concordou rapidamente.

Olhei para Nic. Apesar da festa que aconteceria na pousada, não sabia o que realmente ele havia pensado para a meia-noite. E não queria ser eu a estragar qualquer coisa.

— Por mim, fechado!

Gael também gostou da ideia, e assim nós tínhamos uma pequena adaptação na programação.

Voltamos para a pousada apenas para pegar o carro. A ideia era ir até a praia da Cigana. De bela paisagem e com piscinas naturais de águas claras, normalmente era pouco movimentada, exceto naquela época. Não resistimos à tentação, e nos aventuramos a fazer sandboard[1] nas dunas. Quer dizer, ensaiamos muitos tombos, nos divertindo para valer.

Encerramos o passeio do dia indo até a praia do Cardoso, já bem próxima da pousada, para apreciar o pôr do sol.

Compramos sorvetes e nos sentamos na areia, como tantos outros turistas, para observar aquela maravilha da natureza: o sol em um tom alaranjado, quase vermelho, praticamente tocando o mar. Definitivamente, eu não me lembrava de ter visto nada mais bonito, incrível e mágico.

Nic tinha dobrado as pernas, para que eu apoiasse as costas nelas, e vez ou outra ele mexia no meu cabelo ou se curvava para a frente, para me dar provinhas do seu sorvete. Eu não queria outra vida!

Quando aquele espetáculo terminou, retornamos para a pousada. Segundo Nic e Gael, nós meninas precisávamos de algumas horas para nos produzirmos. Já eles, aproveitariam um pouco da piscina.

Eu estava estirada em uma espreguiçadeira na sacada, descansando um pouco depois de um banho demorado, quando Nic voltou para a suíte.

— Deixou um pouco de água para eu tomar banho? — A piada soou atrás de mim.

Parece que tínhamos voltado às antigas, onde não havia uma tensão sexual pairando entre nós. Isso era bom!

— Sim, senhor! Mas se for pouco, tem aquela piscininha ali. — Apontei para o mar à nossa frente.

Não demorou para que ele se debruçasse sobre a espreguiçadeira, o cabelo espetado e molhado gotejando sobre o meu peito, quando seu rosto pairou em frente ao meu, de ponta cabeça.

— Engraçadinha!

— Ei, eu já tomei banho! — Empurrei-o para longe e sua risada ecoou gostosa ao mesmo tempo em que seu corpo, coberto apenas por uma sunga, veio para o meu lado.

— Gostou do lugar?

A pergunta não tinha nada de difícil, mas eu demorei um pouco para respondê-la, porque o seu quadril estava bem na linha dos meus olhos, e aquilo me trouxe a lembrança de parte da nossa conversa, há pouco tempo, quando falamos sobre aquela sua anatomia, que agora estava ao alcance das minhas mãos e da minha boca.

Karla!

— Lindo! — Desviei o olhar para frente. — Acho que não te agradeci por tudo isso!

Ele se inclinou, trazendo a boca para junto do meu ouvido.

— Ainda não terminou!

Nic seguiu para o banho, e eu precisei de um instante para finalmente me mexer. Não que aquilo fosse me atrasar. Eu já estava com a maquiagem pronta, então era só colocar o vestido branco com detalhes em dourado, que eu havia comprado especialmente para aquela noite, e alguns acessórios.

Estava em frente ao espelho, me decidindo se deixava os ombros de fora, quando ouvi a voz de Nic, naquele tom delicioso e perturbador que ele passou a usar cada vez mais.

— Deixa assim.

Virei-me para ele, enchendo os olhos ao vê-lo ali parado, o corpo apoiado contra a parede de uma forma displicente. Usava uma calça cargo branca e uma camisa de linho azul clara, de botões. Seus olhos nunca pareceram tão vivos e expressivos, e prenderam a minha atenção como ímãs.

Senti-me sendo demoradamente avaliada, antes que ele desse o primeiro passo em minha direção.

Recusei-me a me mexer, ou talvez eu não tivesse forças para isso, quando ele parou atrás de mim e levou a mão até os meus ombros, os dedos resvalando ao ajustar o babado para baixo, para que todo o meu colo ficasse à mostra. Não de um jeito vulgar, e sim sexy.

— É praticamente uma heresia você esconder essa pele.

Eu queria sorrir. Talvez fazer algum comentário. Mas tinha esquecido de como se respira.

Nic deu um passo atrás, e como por encanto, quebrou aquela conexão.

— Vamos?

Eu estava começando a odiá-lo por fazer aquilo. Por me confundir, iludir, frustrar.

Milena estava linda! E não tinha nada a ver com a roupa, mas com aquela aura que o amor espalha sobre a gente. Seu sorriso era verdadeiro, intenso e inocente, de um jeito bom. Gael não estava muito diferente. E eu amava que minha amiga estivesse tão feliz. E que estivesse ali comigo.

Um DJ animava a festa, que não se restringia às dependências da pousada. Muitas pessoas, não apenas hóspedes, usufruíam da música e da alegria, espalhando-se pelas areias da praia. Já nós, demos preferência pela comodidade de ter à mão, bebidas e petiscos servidos antes da ceia.

Quando uma música gostosa e sexy começou a tocar, Nic me puxou pela mão, segurou firme minha cintura e colou nossos corpos, embalando-nos no ritmo, ensaiando passos que eu tentava acompanhar, até que logo estivéssemos no mesmo compasso.

Clandestino – Shakira (With Maluma)

Assim mesmo quis o destino

Não procure problemas onde não existem

Clan-clan-clandestino, oh

Não se esqueça que somos amigos

Após uma ceia maravilhosa e um brinde antecipado, seguimos para o nosso destino: o alto do morro do Farol. E ainda que não houvesse fogos, a vista noturna era tão fascinante quanto a diurna.

Claro que não éramos os únicos ali. Aliás, privacidade era algo que não dava para exigir. Mas isso não impediu Nic de procurar um lugar menos tumultuado para nós.

Faltavam poucos minutos para a meia-noite quando ele abriu o espumante que tinha levado sorrateiramente, fazendo-nos dar goles generosos da própria garrafa. Então puxou-me pela mão, nos afastando um pouco de Milena e Gael.

— Ei, já vai dar meia-noite. — Lembrei-o, atenta ao chão sob os meus pés. — Temos que ficar todos juntos!

Só que Nic não parecia preocupado com aquele detalhe. E isso ficou bem claro para mim quando seus braços envolveram minha cintura devagar e me puxaram de encontro a si.

Automaticamente minhas mãos espalmaram em seu peito, e vi o seu rosto perto o bastante para que o seu hálito quente me entorpecesse.

— Dizem que dá sorte beijar alguém do sexo oposto na virada do ano.

Acho que assenti em concordância com a superstição, não sei. Estava mais preocupada em entender o que havia nas entrelinhas daquele comentário. O que Nic estava sugerindo, propondo, pedindo. Se eu estava disposta a embarcar naquela brincadeira. E mais, se sairia inteira dela.

— Nic…

O ruído dos primeiros fogos interrompeu minha fala. Eu sabia que eles estavam espocando, belos e coloridos, cobrindo a orla, anunciando a chegada de um novo ano, de uma nova etapa cheia de esperança. Mas as duas esferas azuis e brilhantes bem diante de mim, me mantinham aprisionada em um mundo particular, do qual eu muito queria fazer parte, mas não estava certa de conseguir.

— Feliz Ano Novo, minha preta!

A surpresa com aquela expressão veio junto dos lábios de Nic sobre os meus. Eu queria saber de onde surgiu aquilo, mas sua boca exigindo a minha não deixava. Queria entender como ele sabia do meu desejo secreto, mas sua língua circundando a minha não permitia. Queria analisar a extensão daquela investida, mas suas mãos apertando minha cintura e subindo em direção aos seios me distraía. E talvez eu devesse deixar todas as dúvidas de lado e me jogar naquele que era o melhor beijo da minha vida e me perder nos braços do homem que eu amava.

— Diz pra mim o quanto sonhou com a gente assim. — Sussurrou junto à minha boca, quando a liberou apenas por um instante. — Diz, de novo, como você pensa em mim quanto se toca. Diz, aqui e agora, como você me quer!

Acho que o que ligou o interruptor do “tem alguma coisa errada”, foi aquele “diz de novo”.

— Nic… — Tentei falar, mas fui fraca quando seus beijos desceram pelo meu pescoço e clavícula.

Não sei se devia, mas gemi baixinho, arrepiada, excitada, perdida entre o sonho e a realidade. Era tudo o que eu queria, mas então por que junto daquela adrenalina escaldante, algo me incomodava?

— Quero você, minha preta!

Ok! A realidade começou a se sobressair, e eu precisava entender o que estava acontecendo.

— Por que você tá me chamando assim? — Consegui perguntar, mesmo que sua boca na minha garganta quase me deixasse louca de tesão.

— Porque é como você quer que eu te chame.

Sem dúvida! Mas como ele sabia?

— Como você…

— Não faz ideia de como foi difícil me segurar ontem, Ka. — Interrompeu, roçando os lábios no meu queixo, distraindo-me momentaneamente.

— Ontem? Nic, me conta…

— Calma. Tá tudo gravado.

— Do que você tá falando? — Coloquei as mãos em seu peito, impondo um pouco de distância para poder enxergá-lo melhor.

Nic abriu aquele sorriso bobo, convencido, tirando o celular do bolso e procurando alguma coisa. Enquanto isso, o barulho de fogos ia diminuindo, mas as pessoas continuavam ali, muito perto.

Eu estava atordoada com o beijo roubado, mas muito mais com aquilo que Nic havia dito. Ele me estendeu o celular, colocando-se às minhas costas para também poder ver. Na tela, um vídeo onde eu era a protagonista que se dependurava nele, que arrancava o vestido de um jeito trôpego e era amparada por seus braços.

Um misto de vergonha e incredulidade tomou conta de mim. Que tinha bebido além da conta, eu sabia, mas que havia dado um show daqueles? E que Nic tinha gravado?

— Por que você fez isso? — murmurei entre constrangida e decepcionada.

— Como assim porque… — Veio para o meu lado, confuso, pegando o celular quando o estendi sem querer ver mais nada. — Espera, você tá achando que… Karla, foi por acaso.

— Acaso?

— Eu estava ensaiando uma música. Coloquei pra gravar, pra rever alguns pontos onde poderia melhorar. Ouvi vocês chegarem, e me esqueci desse detalhe.

— Detalhe? — Quase ri, abalada.

— Karla, juro que é verdade.

— Eu estava bêbada! — Apontei, a frase saindo amarga da minha boca.

— Sim, estava…

— E você aproveitou para se divertir! — Acusei, sentindo um bolo se formar no meu estômago.

— O quê? Você tá louca? Eu cuidei de você, Karla.

Acontece que eu não estava ouvindo direito. A humilhação tinha ganhado força, e junto dela, a raiva. Dele, de mim mesma, da situação como um todo.

— Quão divertido foi olhar para mim hoje pela manhã e perceber que eu não me lembrava de nada? Disparar insinuações e piadinhas? Me ver perdida nas suas palavras? Por que não me contou, Nic?

Ele tentou se aproximar, mas dei um passo atrás.

— Porque achei que a gente podia conversar sobre o que tem aqui, juntos, com calma. Porque queria falar sobre as verdades que vieram à tona ontem à noite, e queria um bom momento pra isso.

— E achou que esse era um bom momento para me ver fazendo papel de boba?

— Karla…

— O que te faz pensar que tudo o que tem aí é verdade? Eu estava bêbada! Bêbada! — gritei e corri para longe dele, as lágrimas turvando minha visão, as pedras, ocultas pela escuridão, machucando meus pés.

Ouvi Nic me chamar, mas não parei.

Corri até os meus pulmões arderem e eu me ver longe dele e daquela humilhação. Fugi, da verdade e do quanto achava que ela poderia me machucar.

***

Só quando cheguei à suíte, muito tempo depois, é que tive coragem de abrir meu celular, que acumulava várias mensagens.

Nenhuma de Nic!

M – Cadê você?

Aquelas duas palavras, vindas de Milena, apareciam sequencialmente.

K – No quarto.

M – Meu Deus, Karla! Custava responder? Quase ficamos doidos aqui.

K – Desculpe!

M – Nic tá virado no Jiraya! Vocês discutiram?

K – Aham

M – Na virada do ano?

Não respondi. O que havia para dizer se eu não sabia nem o que pensar?

Vaguei pela praia por um tempo, de forma irresponsável, sei disso. Mas precisava pensar. E isso não daria certo perto dos meus amigos. Depois, relutei em voltar, com medo de encontrar Nic. Não era medo dele exatamente, mas do que eu sentia por ele e do que tinha dito de forma impensada.

M – Quer conversar?

K – Não.

Não me preocupei em me explicar.

M – Tá bom. Mas promete pra mim que se sair daí, vai me avisar?

K – Prometo.

M – Tente dormir.

O conselho dado era porque ela sabia que eu não conseguiria fazer aquilo.

Tomei um banho rápido para tirar a areia que grudou em minhas pernas durante a caminhada à beira mar, e, para ver se um pouco daquela angústia que me apertava o peito, ia embora com a água. Não foi.

Deixei a luz de um abajur acesa, para quando Nic voltasse, e me enfiei embaixo do lençol. Fechei os olhos, inchados pelo choro, na tentativa de dormir antes de ele voltar. Consegui. E quando acordei algumas horas depois, com o sol já batendo nas portas de vidro, ele não estava mais lá. Acho que ele nem tinha vindo, já que sua cama permanecia intacta.

E a culpa pesou em mim. O que foi que eu fiz?

Não sei se devia, mas mandei mensagem para Milena quando a hora do café da manhã chegou. Não queria preocupá-la, mas não conseguia mais nem pensar direito.

K – Nic passou por aí?

Tentei ser delicada.

M – Tá tomando café.

Respirei um pouco mais aliviada. Só um pouco. Pelo menos até ouvir, alguns minutos depois, a porta sendo aberta.

Ele estava com a mesma roupa da noite, o que confirmava a minha suspeita de que não tinha mesmo passado pelo quarto. E pensar que ele ficou sabe-se lá onde, talvez para me proporcionar mais privacidade diante do ocorrido, esmagou meu coração.

Nossos olhares se cruzaram quando ele passou pelo hall. E acho que nunca me senti tão mal como naquele momento. 

— Nic…— Minha voz saiu fraca, tal qual eu me sentia.

Ele passou por mim, indo até o armário para pegar uma roupa.

— A gente precisa conversar — prossegui.

Ele parou um segundo, e não perdi como seu corpo tencionou quando me ouviu.

— A gente precisava conversar ontem à noite. — Continuou separando suas roupas.

— Eu sei, mas…

— Mas agora quem não quer sou eu, Karla! — anunciou de forma fria e determinada.

— Nic…

— Acho que você tem razão. — Interrompeu, mas não me olhou quando prosseguiu. — Não tem como ser verdade o que está naquele vídeo. Não com a forma com que você me tratou ontem.

— Deixa eu …

— Não, Karla! — Interrompeu novamente, agora sim olhando em meus olhos. E eu quis me bater ao perceber o quanto eles estavam opacos, tristes. — Eu tô cansado. E não por ter vagado a noite toda pensando. Eu só… Cansei de ser quem você precisava, mas não quem você queria. De respeitar as suas escolhas enquanto você não se atentava às minhas. De cuidar de você, e receber em troca o que recebi ontem: sua desconfiança. Como se eu fosse um qualquer, e não o cara que tem caminhado ao seu lado desde que éramos crianças. Cansei de pensar mais em você do que em mim. Então, acho que tá na hora de corrigir isso.

A mágoa de Nic não estava só nas suas palavras, ditas com tanta propriedade. Estava também em seu semblante indiferente, em seus olhos sem vida, em sua voz sem emoção.

Em mim, a dor de lhe ter causado aquela decepção, verteu em lágrimas. Mas dessa vez ele não as enxugou. Sequer se compadeceu delas.

— Falei pra Milena que vamos sair às onze. Deve dar tempo de vocês arrumarem suas coisas.

Deu-me as costas e se trancou no banheiro.

E eu deixei o choro me invadir, ciente de que tinha perdido aquilo que tanto temia. Meu melhor amigo!


[1] Desporto que consiste em descer dunas de areia, com a utilização de uma prancha similar à prancha de snowboard, usada na neve.

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Os capítulos serão postados às sextas-feiras, podendo haver capítulo bônus na semana dependendo da interação de vocês.

Então chamem as amigas para curtir essa história!

Boa diversão e até a semana que vem! ♥

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