Nossa Razão / Capítulo 7

292 2

Capítulo 7

Karla

Acho que era a primeira vez que eu me sentia ansiosa antes de sair com Nic. Sim, ele insistiu em me pegar em casa, dizendo que era besteira eu ir sozinha, se morávamos perto e o nosso destino era o mesmo.

Desde o domingo passado, com aquele papo de amor e amigos, e quinta-feira, com aquela história do café e tudo o mais, eu não conseguia chegar a um consenso a respeito do que estava acontecendo com meu amigo. Quais suas intenções ao brincar comigo daquele jeito? Porém, não queria que ele parasse, e sim seguisse me dizendo aquelas coisas, que só faziam alimentar minhas esperanças.

A programação para aquele sábado era uma visita à loja que sugeri à Milena. Depois almoçaríamos os quatro, liberando minha amiga e o namorado para terem um tempo a sós, antes que ele seguisse para o trabalho noturno, no Jurerê.

Para alívio meu, Nic parecia ter voltado às origens. Atencioso sim, mas sem indiretas ou pegadinhas maliciosas.

Com comentários tipicamente masculinos, ele e Gael nos deixaram na loja e foram até um bar na mesma avenida, não muito distante, em busca de uma cerveja, até que nos decidíssemos por algo, para que o namorado de minha amiga pudesse opinar.

A coleção estava linda e eu e Milena tivemos dificuldade em selecionar o que íamos experimentar.

Seguimos para os provadores, e enquanto experimentávamos as peças, ouvimos os rapazes já de volta.

— Pela demora devem estar provando a loja toda. — Nic gracejou ali perto.

— Estou enganada ou você veio com o seu carro? — Milena cantarolou.

— Esquece que não vim sozinho?

— Isso não te impede de voltar sozinho! — Coloquei a cabeça para o lado de fora. — Da próxima vez, não implora pra vir com a gente.

— Wow! — Gael resmungou, rindo do fora que dei no amigo.

— Olha só que desaforada! — Nic apontou, tentando segurar o riso.

— E aí, amiga? — Milena murmurou no provador ao lado.

— Depois que eu conseguir ajeitar essas alças, eu te digo — falei, vendo a complexidade em vestir a peça sozinha.

— Quer ajuda? — Nic sussurrou ali perto.

— Eu espero a Milena.

— Sim, daqui a uma semana ela termina de provar os dela e pode te auxiliar.

— Por que mesmo você veio junto, Nic? — A irmã relembrou, ainda enclausurada no provador.

— Posso abrir? — Ele se ofereceu, ignorando a irmã, e antes que eu respondesse, vi sua mão surgir no vão da cortina, afastando-a minimamente, sem, entretanto, espiar ali dentro.

— Nic! — reclamei, imediatamente colocando um dos braços sobre os seios. Apesar de não estarem totalmente descobertos, era o suficiente para que eu me sentisse exposta de um jeito incomum, de um jeito que um amigo não deveria me ver, eu acho.

— Qual é, não é como se fosse a primeira vez que te vejo de biquíni. Ou você não está vestida?

Ele não deixava de ter razão. Só que a situação era diferente. Ele não ia apenas me ver, mas me ajudar a terminar de vestir uma peça de roupa minúscula. Isso significava que seus dedos entrariam em contato com a minha pele de uma forma diferente do habitual, e eu não confiava no meu corpo não revelando a sensação que isso me causaria.

— Estou.

Nic terminou de afastar a cortina. Seus olhos pousaram em meus quadris e subiram devagar, até alcançarem a parte de cima do meu corpo — onde eu tentava segurar o bojo do biquíni em seu devido lugar — antes de, finalmente, encontrarem os meus olhos através do espelho.

— O que você quer que eu faça?

Me agarra, me beija, diz que me ama, que me deseja!

Pigarreei, piscando repetidamente para que aquela imagem deixasse meu cérebro.

— Pode desenrolar essas alças aí atrás? Elas devem se sobrepor, cruzadas no alto das costas.

Eu gostaria que ele tecesse algum comentário, como sei que minha amiga, se estivesse ali, faria. Qualquer coisa, sobre qualquer assunto. Podia até ser uma das suas piadinhas atrevidas. Menos que se mantivesse calado, tornando o clima tenso e sóbrio demais, como se não fôssemos amigos há mais de uma década.

Bem, eu também poderia dizer algo, mas estava mais concentrada em sentir. Sentir seus dedos leves e ao mesmo tempo precisos, desenroscando as finas tiras de tecido, ajustando-as sobre a minha pele. Sentir sua respiração, próxima demais, tocando minha nuca. Sentir seu olhar avaliativo fora do normal, quando se afastou ao terminar a tarefa.

— Obrigada! — Agradeci com a voz rouca, tentando abrir um sorriso, que deve ter saído meio sem jeito.

— Sempre que precisar.

Tentei me concentrar em analisar a roupa, enquanto ele permanecia ali, parecendo fazer o mesmo.

— O que achou? — Inventei de perguntar, sem saber ao certo porque fiz aquilo.

Claro que sabe, Karla. Você quer a aprovação dele. Quer que ele continue te olhando desse jeito… ansioso.

Silêncio.

— Quer minha opinião como amigo, ou como homem?

Quero tudo o que puder me dar!

Merda, eu estava definitivamente perdendo a noção das coisas.

Voltei para a realidade, trazendo descontração para a pergunta.

— Tá querendo dizer que existem duas opiniões?

— Apenas a forma de expressá-las.

Nic estava mais sério do que o normal. Compenetrado, pensativo, hesitante.

— Tenho certeza de que você é capaz de encontrar um meio termo — falei por fim, apesar de desejar ardentemente saber sua opinião como homem. Tinha a impressão de que ela seria mais audaciosa, em relação a do amigo.

Ele puxou uma respiração mais profunda e lenta.

— Às vezes acho que você deposita confiança demais em mim.

— Vamos! Seja sincero. — Pedi, entonando uma maciez na voz que surpreendeu até a mim.

Nic não falou de imediato, o que me deixou ainda mais em expectativa. Correu o olhar novamente pelo meu corpo, e percebi um leve movimento de seu maxilar antes que ele começasse a abrir a boca.

— Olha o que eu achei!

Milena surgiu de repente, antes que o irmão desse seu veredicto. Trazia em mãos o que imaginei ser um traje de banho, para onde Nic desviou o olhar, se adiantando em pegar a peça.

— Cadê o resto do biquíni? — perguntou, levantando a roupa até que ficasse bem em frente ao seu rosto.

— Não enche, Nic. — Milena tirou-a das mãos dele e me alcançou. — Prova, amiga. Vai ficar show em você! — Agitou as sobrancelhas. — Com certeza irá atrair muitos olhares.

— E aquele discurso de que as mulheres não querem ser vistas como um pedaço de carne? — Nic destilou, trazendo à tona o seu lado machista.

— Então é assim que você vai olhar pra Karla se ela usar esse biquíni? — Milena rebateu de imediato, fazendo-me chamar sua atenção.

— Mi…

— Até a última vez que conferi, ainda sou homem. Posso ser gentil nos gestos e palavras, mas não posso garantir o mesmo em relação aos meus pensamentos.

Uau! Eu entendi direito? Nic teria pensamentos pervertidos ao me ver com aquele biquíni?

— Cretino, mas fofo. — Milena piscou para o irmão antes de voltar ao seu provador.

— Dá pra entender? — Nic se virou para Gael, que parecia se divertir assistindo a cena.  — Querem sinceridade, mas quando ouvem, não sabem lidar.

— Ok, você me dá licença para eu provar? — Pedi, já puxando a cortina para fechar.

— Sério? — Olhou para a minha mão, que segurava o biquíni, que ao que tudo indicava, ele não aprovava.

— Se manda, Nic! — falei firme, contendo o riso enquanto Milena colocava a cabeça para fora de seu cubículo para implicar mais um pouco com o irmão.

— Ah, e só para o seu governo, a gente gosta de ser tratada como um… pedaço de carne, às vezes. — Imprimiu um tom safado à voz e olhou para o namorado. — O Gael pode te explicar melhor essa questão.

— Até parece que eu preciso disso. — Nic rebateu, terminando de fechar a cortina com vigor.

Provei o traje de duas peças, e não dava para discordar de Nic, em partes. Era ousado, do tipo que chama a atenção para o corpo por ele estar exposto mais do que deveria. Ao menos para mim.

— E aí, como ficou? — Ouvi a voz de Milena abafada pela divisória.

— Acho que o seu irmão o classificaria como indecente.

— E desde quando ele tem que dar pitaco na sua roupa?

— Deixa eu ver. — Nic resmungou.

— Depois do seu veredicto, sem chance.

— Como se eu não fosse te ver usando-o qualquer dia desses.

— Talvez eu use quando você não estiver junto. — Girei o corpo, observando-me no espelho.

— E quando isso acontece?

Ele tinha razão. Era difícil enumerar as vezes em que Nic não estava ao meu lado.

Acho que eu não teria coragem de usar o biquíni, sabendo que ele me olharia da forma como descreveu. Certamente que eu gostaria, desde que ele não fosse apenas meu amigo.

— Gael? — Milena chamou de um jeito instigante e ouvi um farfalhar do outro lado.

— Uau! Um pedaço de carne muito suculento. — Gael sussurrou devagar.

— Ei vocês dois — alertei. — Tô aqui do lado, esqueceram?

— Tô aqui fora e também ouvi. — Nic emendou.

— Foi mal! — A desculpa de Gael foi acompanhada de risos travessos.

Por fim acabei optando pelo primeiro traje, aquele que Nic me ajudou a ajustar. Era sexy, sem ser vulgar.

Tentei não me armar defensivamente quando a menina do caixa pegou as quatro notas de cinquenta da minha mão e revirou uma a uma, desviando ocasionalmente o olhar para mim, conferindo se eram verdadeiras.

Tudo bem, é uma atitude normal dos tempos conferir dinheiro em papel. Porém, quando as duas notas de cem que Milena usou para pagar sua compra não tiveram o mesmo tratamento, eu tive certeza do que estava acontecendo.

A vontade de questionar a atitude da garota veio até a ponta da língua, e talvez eu o teria feito se estivesse sozinha. Acontece que não queria estragar o clima com meus amigos.

Só que um deles não pensava o mesmo.

— Você não conferiu as notas dela. — Nic questionou a menina, apontando para a irmã.

— Ah, tenho certeza de que são verdadeiras. — O sorriso meio culpado dividia espaço com olhos brilhantes para o homem à sua frente.

— Isso quer dizer que não tinha certeza sobre as da minha amiga?

— Não… quer dizer… eu…— Gaguejou, olhando para mim rapidamente.

Nic ignorou-a e virou para me olhar de frente.

— Você gostou tanto assim desse biquíni para aceitar isso?

A voz grave combinava bem com a expressão contraída, o maxilar tenso e a veia pulsando em sua têmpora. Ele, como eu, tinha entendido o que estava acontecendo, mas ao contrário de mim, não deixou passar. Sua atitude era admirável, e eu já deveria esperar por isso, afinal, não era a primeira vez que ele presenciava algo do tipo.

— Nic…

— Me fala! — Ele me cortou, elevando um pouco o tom, o que pareceu chamar a atenção de uma mulher, que surgiu por uma porta, em um canto da loja.

— Com licença. Algum problema?

Pela aparência, deduzi que fosse a gerente, talvez a dona, que percebendo a atmosfera tensa, decidiu intervir.

— Sim. Um problema bem chato, eu diria.

— Nic….

— Só queria entender por qual motivo a moça aqui deu um tratamento diferente para o pagamento em dinheiro feito pela minha irmã e pela minha amiga. — Indicou cada uma de nós. — Tô tentando não fazer um julgamento precipitado, mas acho que sabemos o que está acontecendo, não é?

— Inacreditável! — Milena murmurou, fechando o semblante.

A mulher, visivelmente constrangida, deve ter entendido bem, pois imediatamente se dirigiu à funcionária.

— Viviane, você pode organizar aquelas caixas, por favor? — Indicou a mesma porta por onde havia surgido, esperando que a moça sumisse atrás dela.

A situação era bastante embaraçosa, mas não incomum. 

Já passei pela época da vergonha, de me sentir e me colocar inferior, como tentavam me fazer crer, largando tudo e saindo correndo, com o choro entalado na garganta. Depois, passei pela fase de me defender quase que agressivamente — em uma situação como a de hoje, eu passava a mão no meu dinheiro, não sem antes dizer umas verdades, e saía pisando duro. Com o tempo, aprendi que me posicionar de forma superior e com classe, era a melhor arma. Eu os deixava normalmente sem jeito diante da minha sutileza e inteligência emocional. Isso não quer dizer que eu não saísse afetada, mas não dava demonstração.

Acontece que isso mexia bastante com Nic, e ele ainda reagia com indignação, não deixando passar barato.

— Minhas mais sinceras desculpas, senhor…

— Nic. E esta é a Karla. O pedido de desculpas deve ser para ela.

— Claro! Desculpe-me por isso, Karla. Quero que saibam que o comportamento da minha funcionária não é aprovado e não será tolerado novamente. Infelizmente nem tudo conseguimos perceber no momento de uma contratação, e nem sempre os treinamentos são bem aproveitados.

— Eu entendo — disse ele, sem se deixar contaminar com a boa vontade da mulher.

— Karla, posso fazer alguma coisa para tentar amenizar essa situação? — A atenção estava toda em mim e o esforço dela para compensar o deslize da funcionária era louvável, mas não confortável.

— Está tudo bem. — Assenti, querendo sair dali o mais breve possível.

— Por que você não escolhe um complemento para a peça que levou? Vou me sentir melhor se puder reparar o comportamento da minha colaboradora.

Eu não queria tratamento diferenciado porque a funcionária dela demonstrou claramente ser preconceituosa. Só queria igualdade, respeito.

— E eu vou me sentir melhor sendo tratada como uma cliente comum. — Impus minha voz, mostrando meu desagrado sem deixar de ser educada.

— Claro! Espero que isso não impeça você de voltar. Farei questão de atendê-la.

Assenti educadamente antes de fazer meia volta e deixar a loja.

O trajeto até o restaurante foi feito em um silêncio desconfortável, eu diria. Nic estava calado, por certo tentando não tocar no assunto, que ao que tudo indicava, não saía de sua cabeça.

Quando estávamos os quatro acomodados em uma mesa ao ar livre, precisei quebrar o gelo.

— Eu agradeço a solidariedade de vocês com a situação, mas já passou, gente. Tá tudo bem. — Olhei para os três e sorri.

— Não tá tudo bem! — Nic rosnou, antes de olhar para mim com a expressão contrariada.

— Talvez não, mas já estou acostumada.

— Não deveria. — Gael disparou, sentado à frente de Nic. — Quando a gente se habitua com alguma coisa, deixa de dar a devida importância para aquilo. Inconscientemente estamos admitindo que é normal e aceitável, quando não é, Karla. Todos merecemos o mesmo respeito, a mesma consideração, e se lutando por igualdade já é difícil, imagina abaixando a cabeça?

— Já passei da fase de abaixar a cabeça, Gael. — Sorri, entendendo perfeitamente sua posição. —- Quando era uma das últimas a ser escolhida para as brincadeiras na escola, quando os meninos olhavam para mim com cara de nojo, dando preferência para as meninas brancas. Quando meu corpo era objetificado na adolescência, porque mulher negra é fácil. — Nic buscou minha mão sobre a mesa, segurando-a firmemente. — Eu sempre soube que era negra, mas foi aí que comecei a entender que muitas das coisas que eu passava eram culpa do racismo, não minhas. E você acaba se adaptando, sim. A andar mais bem vestida, para que não te confundam com a mulher do cafezinho. Não que isso seja demérito, mas é como se não tivéssemos competência para ocupar outro posto. Se habitua a prestar atenção a quem está ao seu lado, te analisando, esperando para colocar a culpa em você por algum deslize que outra pessoa cometeu. Aprendi a conviver com isso, mas não quer dizer que eu aceite ou concorde. Só tenho uma forma mais suave de demonstrar minha posição.

— Tá dizendo que fui rude demais com uma garota que te discriminou pela sua cor, na cara dura?

— Não, não tô dizendo isso, Nic. — Foi a minha vez de apertar sua mão. — Eu agradeço a sua atitude, mas quero que entenda que a minha forma de me defender é outra. Quero que me respeitem como ser humano, e que com isso, respeitem a minha forma de lidar com o preconceito. Eu não quero discutir cada vez, erguer a voz, fazer barraco. Já fiz isso? Fiz. Hoje, me sinto melhor e mais confiante escolhendo as batalhas que valem a pena lutar.

— Acho que a Ka tem razão. Não dá pra comprar briga cada vez que alguém se comporta como um ignorante preconceituoso. Isso é desgastante. — Milena falou baixinho, e seu olhar para mim era cheio de carinho e compreensão.

— Não sei se é uma questão de razão. É só a minha escolha. — Olhei para Gael e sorri. — Já fui criticada por ser amiga da Mi e do Nic, como se eu estivesse negando a minha cor por me misturar com os brancos. Não é engraçado isso? A escravidão acabou no papel, há décadas. Na prática, as pessoas seguem querendo impor regras e comportamentos, ignorando a forma de pensar de cada um. Não é porque sou negra, que tenho que me posicionar o tempo todo, ou que vou deixar de fazê-lo quando achar que é preciso. Não é porque sou negra, que não posso alisar meu cabelo. Não é porque sou negra, que não posso ter amigos brancos, ou me casar com um homem branco. Eu não sou obrigada a nada.

Gael desviou o olhar para Nic, e Milena se mexeu na cadeira, chamando minha atenção.

— Um pouco contraditória essa sua última frase, amiga, já que você mesma determinou que não quer se envolver com um homem que não seja da sua cor.

Sim, foi uma decisão que tomei em um momento que mexeu demais com a minha autoestima, e eu a vinha mantendo desde lá. Não que ela fosse imutável, mas eu desconfiava que só optaria por isso, por um homem específico. Aquele que, ao meu lado, ainda segurava a minha mão.

— Só estou explicando que ninguém tem que querer impor isso a mim. Que é a minha escolha, e ela deve ser respeitada — Expliquei por fim, desfazendo com cuidado o contato com Nic, para pegar o cardápio. — Que tal fazermos o pedido?

Nos despedimos de Milena e Gael logo após o almoço, deixando-os à vontade para terem um tempo a sós. Eu também precisava de um, então pedi a Nic que me levasse para casa.

— Não quer dar uma volta, tomar um sorvete, pegar um cinema?

Contive o ímpeto de dizer sim, afinal, qualquer programa com Nic era delicioso. Ele era divertido, atencioso, e não se negava em fazer minhas vontades. Acontece que eu realmente precisava de espaço. Ter que refrear o impulso de tocá-lo, de observá-lo com paixão, guardando tudo só para mim, às vezes me esgotava. Eu precisava ficar longe dele para poder respirar com mais tranquilidade.

— O convite é tentador, mas preciso mesmo estudar, Nic. — Eu também queria fazer uma hidratação no meu cabelo, e ter algumas horas de puro ócio. — Mas a gente deve se ver amanhã, certo? Ou acha que ainda não rola o encontro da turma por causa da Lia?

Ela estava estranhamente quieta essa semana, quase não se manifestando no grupo. Imagino que ainda era reflexo da conversa com Nic.

— Ela disse que estava melhor, então a princípio não vejo motivo para cancelar. De qualquer forma, vou chamar o pessoal.

— A gente se fala por lá, então — Concluí, quando ele já estacionava em frente ao meu prédio. — Obrigada por hoje, Nic!

Tirei o cinto de segurança e me inclinei, dando um beijo rápido em sua bochecha, e estranhei quando ele segurou o meu braço, o que me fez voltar o olhar para sua expressão indecifrável.

Antes que eu o questionasse, vi seu rosto se aproximar do meu, até que seus lábios encontrassem minha bochecha em um beijo demorado.

Eu não queria que a minha pele se arrepiasse por conta daquele contato, que, aliás, não tinha nada de íntimo. Mas quem disse que a gente consegue controlar todas as nossas reações?

Sim, eu me arrepiei, mas o pior de tudo é que tenho a impressão de que Nic percebeu, pois seus olhos pousaram no meu pescoço, local onde eu sentia minha pele eriçada, antes de subirem para os meus olhos com um brilho risonho.

— Eu que agradeço pelo dia, bailarina! — Piscou, e tudo o que consegui fazer foi ensaiar um sorriso tranquilo, quando por dentro eu borbulhava.

Obra registrada na Biblioteca Nacional®
Copyright © 2021 by Paola Scott.

Todos os direitos reservados à Paola Scott.

Reservados todos os direitos desta produção. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida por fotocópia, microfilme, processo fotomecânico ou eletrônico sem permissão expressa da Paola Scott, conforme Lei n° 9610 de 19/02/1998.

Espero que tenham gostado! ♥

Não esqueçam de me dizer o que vocês estão achando nos comentários, e de convidar as amigas! Quanto mais vocês interagirem, maior a probabilidade de eu liberar capítulo bônus!!

Os capítulos serão postados às sextas-feiras, podendo haver capítulo bônus na semana dependendo da interação de vocês.

Então chamem as amigas para curtir essa história!

Boa diversão e até a semana que vem! ♥

2 comentários

  1. Eita…cada vez melhor

  2. Socorrooooooooo

Deixe uma resposta

error: Conteúdo protegido!